Rodrigo. (ensaio para roteiro)

Por que ela me largou? Eu sempre tratei ela com carinho e tudo mais. Dava atenção, carinho,  ela sempre gozava (é o que eu acho pelo menos), era legal com a família dela. Por que tomei um pé na bunda dela, sem nenhuma explicação, sem briga. Ela só me liga da praia e diz que não gosta mais de mim e quer terminar. Lazarente, deve tá dando pra outro já. E eu aqui nessa merda desse show! Olha o tipo desse pessoal, todo mundo usando esses all-star surrados e sujos, usando esse mesmo tipo de camiseta. Muito nada a ver.Mas como diz aquele clichê (sou ótimo com clichês) se tá no inferno, abrace o capeta. Sei lá, talvez seja bom, mudar de ares, pessoas, tipo de música. Quando se toma um pé na bunda a pior que se tem é ficar naquela mesma rotina de quando você tava com a guria. Sair nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas, ouvir aquela música que vocês sempre ouviam. Tudo que você vê, faz, pensa, vai lembrar aquela vadia… É acho que foi bom o Pedro me convidar pra esse show. Só o nome da banda achei estranho pra caralho, Tylers Durtens. Que porra de nome é esse. Pelo menos Pedro falou que o som deles é legal. E cadê ele, disse que ia chegar onze e meia e nada até agora. Foda é ficar sozinho aqui nessa fila, com essa galera aqui. E nem fumar eu fumo. Pior coisa que se tem é ter que ficar esperando alguém, sozinho, sem nada pra fazer. Nesse quesito invejo os fumantes. Acender um cigarro, ficar fazendo pose, soltando fumaça pela boca…Pelo menos não fica parecendo que você é um idiota, esperando, esperando… Pô, olha aquela gostosa que tá vindo. Outra coisa que odeio quando to sozinho é não poder comentar sobre mulher pra ninguém. Existem mulheres que você precisa comentar com alguém sobre ela, acho que sou meio pedreiro. Não que falo pra ela "ô delícia", "imagine uma maravilha dessas lá em casa", longe disso. Mas não se pode deixar passar sem comentar esse tipo de mulher. E não é só gostosa, é linda também. Tem um rosto lindo, cabelo escuro pra caramba mas com olho verde, leves sardas no rosto e uma boca que é impossível de não imaginar ela te beijando.E os peitos que não são pequenos, mas também não sou grandes, o tipo ideal. E o movimento do quadril dela nessa calça  jeans velha grudada no corpo. Hipnotizante, sempre me apaixono fácil assim. Tomare que ela olhe pra mim quando passar. Não vou olhar pra ela quando ela passar, vou ignorar. Melhor coisa. Estou apaixonado sim. Sei disso porque uns 2 segundos depois que ela passou senti o perfume dela no ar, e isso é um golpe fatal. Não pode ser no exato momento que ela passa, o cheiro tem que ser sentido uns 2 segundos depois. Nem a mais, nem a menos. Como uma cartada final dela, onde você não a vê mais com os olhos, mas ainda lembra dela pelo cheiro. Será que ela vai no show? Pelo jeito, tá dando oi pro segurança do bar. Pelo jeito já é conhecida aqui. E acaba de entrar… 

Ainda bem que me convidaram pra esse show… 
Ps: Pra quem não entedeu esse post. Apenas um ensaio sobre um personagem de um roteiro que estou escrevendo. Grato.

Alta Fidelidade.

Um pé na bunda e uma lista. Assim começa o livro. 

Não, não estou falando do Alta Fidelidade, estou falando do Clube dos Corações Solitários, de André Takeda.
Confesso que ao começar a ler o Clube dos Corações Solitários senti raiva. Não é agradável ler uma cópia da primeira página do seu livro predileto. Conforme fui passando para as páginas seguintes, fui vendo que não era uma cópia exatamente e sim uma homenagem, uma homenagem a um dos livros que marcou a minha vida e com certeza de muitas outras pessoas.
O livro é sobre um cara de 20 e poucos anos, que acabou de se formar em jornalismo (ou ainda é estudante, não me lembro agora) e tem milhões de dúvidas sobre sua vida. Amores, trabalho, família,amigos, música, cultura… 
Pode não parecer nenhuma história genial ou original. 
Mas ao meu ver, o grande trunfo do livro é passar todos esse problemas e dúvidas de uma maneira singela, verdadeira, engraçada e cativante.
Considero ele o maior exemplar de litaratura POP daqui do Brasil, da geração blog e internet. E apesar até de ser um livro "moderninho", dúvido que exista alguem que leia este livro e não se identifique com o personagem. Seja por seus problemas, pensamentos, ações, bandas prediletas, etc. De alguma forma isso acontece.
De raiva passou para empatia. 
Não é um livro denso, com uma nova estética, revolucionário ou algo assim. É um livro cativante, inteligente e muito gostoso de ler. 
Afinal de contas, acho que é isso o que realmente importa.

Filme inacabado ?

Um começo aparentemente promissor, chegando ao climax adiantado e uma cagada no lugar do final feliz.

Talvez esse, seja o melhor filme que já fiz.

Auto-ajuda.

Na livraria, todos os dias, vejo livros de auto-ajuda do tipo: "Supere um termino de relação", "Como achar um novo amor", "Como fazer relacionamento dar certo", coisas do gênero. Fico pensando qual será o conteúdo desses livros. Coisas que todo mundo fala? Que só o tempo cura um amor? Que só um amor cura o outro? Que é preciso respeitar as diferenças do outro? Todas essas coisas que estão no senso comum, que todo mundo sabe, mas nunca fazemos. O tipo de leitor desse livro? Acho que incrivelmente pode ser todo mundo. Confesso que quando passo na frente de um, ainda mais no momento que estou vivendo, fico intrigado pra saber o que esse livro pra dizer pra mim. Quem sabe por orgulho não pego. Ou quem sabe até por saber o que já vão dizer. Ou não. Um dia eu pego. Não sei nem porque estou escrevendo sobre isso. Quem sabe porque tenho uma teoria. Acho que tudo que consumismo é auto-ajuda. Qualquer livro, filme, música, foto, etc… nos ajuda de certa maneira a ver o que gostamos e não gostamos, amamos e odiamos. Tudo. Mas também fico pensando. Se é auto-ajuda, por estamos recorrendo a um meio, alguém que escrever sobre isso, pra nos ajudar? Acho que de auto, não têm é nada. Talvez até seja um auto-engano.

Mas vou parar por aqui, já não estou muito bem e só escrevo por escrever. Até sei porque. Quem sabe porque eu afirmei hoje que escrever não é um dom, e sim uma prática. Quem sabe é pra tentar provar isso, mas pelo jeito não estou conseguindo.

Boa noite…

Trilha Sonora: Los Hermanos - Sétimo Andar

Ponte

Sinto um empurrão pelas costas. Caio no chão. Não sei onde estou ou quem em empurrou. Não enxergo nada. Desespero, choro e grito. Minha voz está sufocada, eu estou sufocado. Como um eco do meu sufoco, escuto uma voz, ela diz que é pra me acalmar e me levantar. Não sei de onde ela vêm, mas sigo as ordens. Apoio minhas mãos no chão, sinto que é feito de madeira, velha e mofada, exala um odor nada agrádevel. Tento me levantar, mas minhas mãos não têm força. Deito outra vez no chão. O chão está úmido. Sinto uma náusea, frio e fome. Escuto a voz novamente, dizendo a mesma coisa. Tento me levantar mais uma vez. Com calma e cuidado, cumpro meu objetivo. Com os pés descalços, dou meus primeiros passos. Não são fáceis. Estou sem rumo, direção ou sentido. Abro e fecho meus olhos, nada muda. Tento acalmar minha respirção, para tentar ouvir alguma coisa. Ouço barulho de água, que vem de todos os lugares, acho que estou em algum túnel. Caminho alguns passos sem direção. Fecho meus olhos e penso, quem poderia ter feito isso pra mim? Como eu vim para aqui? Não consigo respostas, talvez elas nem existam. Abro meu olhos, vejo um ponto de luz. Será a luz no fim do túnel? Caminho em direção a ela. O chão está ficando mais seco na medida que chego perto da luz. Não vejo só um ponto de luz agora, mas sim que tudo ao meu redor está clareando. O barulho da água começa a ficar mais fraco. Sinto uma brisa em meu rosto. Olho para baixo, vejo água correndo por entre as frestas da madeira. Uma agua estranha, turva em alguns momentos, mas muito clara em outros. Olho para o lado, vejo o sol nascendo. Agora entendo tudo. Não estou em túnel, mas sim em uma ponte.

Sem trilha sonora.

Ps: texto não pronto.

Crise de Reprise

Todos os lugares que vou assisto ao mesmo filme. Cenas já vistas muitas vezes, que só me trazem sensações boas. Tento pensar em um novo filme. Cenas inéditas e enquadramentos diferentes. Isso, até que consigo fazer. Mas a principal coisa que quero mudar é a estrela. A Musa. Nesta última tarefa não tenho sido feliz.Ainda insisto em escrever o roteiro pra você.

Espero que essa crise de reprise passe.

Trilha Sonora: Paralamas do Sucesso - Pequeno Imprevisto

Inconstante.

Posso definir minha vida agora com essa palavra: insconstante. Tudo está assim. Principalmente humor e amor.

Feliz por estar solteiro. Curtir a vida. Sair com os amigos. Zuar com tudo. Não me preocupar com nada.

Triste por sentir sua falta. Sua voz. Seu carinho. De não poder sair com você. Ter você ao meu lado quando eu preciso. De poder te ajudar com os seus problemas.

Tenho sentimentos bons dessas 2 épocas da minha vida. Totalmente diferentes. Mas muito bons.

Apesar de todos os erros que andamos cometendo nesse momento, por talvez não sabermos agir um com o outro. Com momentos de raiva e outros carinho, está sendo bem diferente pra mim.

Não sei explicar. Só estou sentindo e aprendendo a viver com isso. E espero que você também.

Trilha Sonora: Weezer - Say It Ain’t So

Não sei o que sinto por você.

Não é odio.

Não é amor.

Não é rancor.

Não consigo mais entender, viver ou sentir.

Única coisa a se dizer sobre isso tudo.

"Tenha dó, não mereces o afago nem de Deus nem do Diabo
Quanto mais da mão que um dia eu dei pra ti…"

Obrigado.

Trilha Sonora: Los Hermanos - Tenha Dó

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.

Paulo Leminski